Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Ausência - Vinícius de Moraes
Se tu flores
avisa para a primavera
que o fim do meu inverno
se aproxima.

Anedotas de Brain.

Nota sobre ser anti social XXXI

Estive pensando enquanto olhava pro teto do quarto, me deu vontade de chorar, ando assim meio chorosa pelos cantos, semana passada, enquanto tomava café na varanda olhando pro céu, me debulhei em lágrimas e nem ao menos sei o motivo. Essas marés melancólicas me ocorrem vezemquando, e eu sei que são passageiras. Desde que me entendo por gente elas estão aqui, mas sinto que no fundo tudo isso vai passar um dia.

SANTOS, Ana Carolina.


tangerine-and-heartbreaker:

Bob Dylan by Barry Feinstein.

Fica feio se eu chorar?
Meu Pé de Laranja Lima.  
Eu absolutamente não tenho prazer em estimular algo que eu, por vezes, caí com tanta indulgência. Não foi pela busca do prazer que eu tenho arriscado a vida, a reputação e a razão. Foi apenas uma desesperada tentativa de escapar de memórias torturantes, de um senso de insuportável solidão e o horror de alguma estranha maldição repentina.
Edgar Allan Poe.  

Que eu morro de medo que o céu caia em mim de uma vez. Por enquanto ele pesa, alguns dias pesa muito muito, mas tá dando pra aguentar. Eu não sei o que tem por trás dele, então o medo e a curiosidade se juntam e não cabem em mim. A maioria das coisas não cabe em mim, mas eu sou teimosa e quero abrigar o mundo com todas as sujeiras e traumas e guerras e amores que acabam antes mesmo de começar. Umas tristezas que vêm de repente e querem ficar, tomar conta de um espaço que não está disponível. 

Eu deveria ter ido no show de Johnny no Abril Pro Rock. Eu deveria ter ligado pra você hoje pra dizer que eu sinto tua falta e ando pelos cantos suspirando teu nome horrível, evitando pessoas de camisa vermelha, odiando bicicletas e não indo mais pro Antigo só pra o que tem de você em mim não renascer e gastar. Que besteira, né? Mas é assim que eu acho que vai ser. Vou gastar o pouco de você que tem em mim e vou ter que dar de cara com a minha solidão que não sabe dançar, que não sabe sorrir, que não gosta de me deixar respirar. 

Não tem teu cheiro mais na camisa que tá comigo. Não tem tua voz do outro lado da linha, dos outros lados de mim pra me trazer pra a realidade. Não tem mais tuas mãos (mais lindas do mundo) pra segurar meu corpo e meu universo. 

Não é sempre que é perigoso sentir vontade de voltar. 

Semana passada conheci uma menina do cabelo channel, dos seios pequenos e da buceta pequena. Menina do sorriso lindo, trepa de um jeito fantástico e depois fica dançando ao som de dylan, ela gosta da minha poesia pesada e eu gosto do seu balançar de cabelos. Ela ama livros talvez eu faça alguns para ela aumentar a coleção ou faça textos para que ela adormeça lendo eles. Ela me serve whisky e senta no meu colo e acaricia minha barba falha, ela aperta minhas bochechas e diz que são fofas eu aperto-lhe os seios e digo que são do tamanho que eu gosto e ela fica vermelha, gosto quando ela fica vermelha, sua pele branca não deixa ela disfarçar a timidez e seu cabelo channel curto esconde os olhos com sua franja, seus olhos são bonitos, guardam um mistério que ainda não desvendei, sua boca guarda um sorriso brilhante e um sabor doce e quente nos beijos. Quando chega a noite monto nela só para ouvi-la dizer eu sou sua, enquanto trepo com ela eu falo, eu também sou seu.

Meu sangue jorrou, o pó preencheu as linhas tristes.
A morte sorria para mim
falhou

o meu tragar e o seu trazer

segue teu caminho perigoso, âmago e solitário, mas se perde aqui
nas curvas fechadas do meu corpo tão maltratado
na minha imensidão caótica
traga luz ao meu abismo
que eu trago você
em mim

Steph L.

E eu me pergunto o que é que eu sou.
Vai ver eu não sou mesmo nada
E eu me pergunto o que é que eu fiz.
Vai ver eu não fiz mesmo nada,
Eu penso tanto em desistir,
Mas afinal, não ganhei nada.

Mallu Magalhães

Bom dia!

perdido nas fronteiras de tua imensidão

sigo rotas circulares, desbravando cada fresta de tu’alma; iço as velas na direção dos novos ventos e toco meu barquinho no curso central de teus tormentos. Os temporais são constantes; e com o olhar queimando em esperança tento fugir dos redemoinhos causados por crises existenciais e mudanças de humor repentinas. Mapeio a minúscula área percorrida e me perco no horizonte de teus domínios. Me faço viajante de teus mares, sem expectativas para aportar; porque navegar eternamente em tuas águas é um fardo que eu adoraria carregar.  

R-etalho.