Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. […] Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espetáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite. Estas páginas, em que registro com uma clareza que dura para elas, agora mesmo as reli e me interrogo. Que é isto, e para que é isto? Quem sou quando sinto? Que coisa morro quando sou?

Fernando Pessoa
Anônimo sussurrou-me: Tem instagram?

Aqui http://instagram.com/lisbelice_s

uma hora
a campainha vai tocar
o telefone vai chamar
o jornal vai estar lá com a noticia estampada
eu deixei o recado na geladeira ontem pela manhã
eu vi o seu nome na lista dos aprovados
vai chover no domingo
o trem vai se atrasar
você vai partir e eu vou sumir
o abraço vai virar saudade
é tudo uma questão de tempo
com exceção da morte, baby
não há um “fim”,
apenas uma reta
com infinitos recomeços.

Cálices em tons de rosa

no subsolo da praça da estação transita todo tipo de gente
artistas, trabalhadores, heróis, estudantes, donas de casa, mendigos
todos passam seguindo seus destinos, suas preces, suas vidas
quase todos vão em busca de alguma felicidade
outros vão ligados a seus pequenos propósitos e metas diárias. 

o tempo escorre na rotina da metrópole 
os dias se atropelam na velocidade contemporânea
e ninguém percebe a grande monotonia

na esquina da saída lateral do metrô
dois jovens bêbados brindam o último gole do dia
sobre a mesa a garrafa vazia de um vinho barato
no rótulo um bela mulher de biquine sorri
no balão está escrito: C’EST LA VIE!

Elisa Bartlett

O início do borboletário

As lagartas romperam seus casulos, metaformizaram-se em borboletas, e agora voam freneticamente por todos os lados. Valsam despreocupadas, mas esquecem-se de que o corpo que as abriga é frágil e não suporta a ventania que sua dança provoca.

SANTOS, Ana Carolina.

Aurélio

se poesia fosse só palavra bonita

o dicionário era o maior dos poetas

Sempre mantive mais contato com livros, histórias, metáforas. Era difícil de imaginar uma ligação de tal nível com outra pessoa. Dever explicações, tentar entender, ser entendido, nunca funcionou. Pessoas não são livros que podemos ler e reler quantas vezes quisermos para entender. Por isso me isolava, gostava de entender tudo que fazia parte do meu convívio, e nunca entendia tais seres que me cercavam, isso me deixava frustrado. Por isso sempre preferi ler do que falar ou ouvir.

Julio Venori.    

Um quarto de hotel, para mim, tem a implicação de voluptuosidade, furtiva, fugaz. Talvez o fato de não ver Henry tenha aumentado a minha fome. Eu me masturbo frequentemente, com luxúria, sem remorso ou repugnância. Pela primeira vez eu sei o que é comer. Ganhei dois quilos. Fico desesperadamente faminta, e a comida que como me dá um prazer duradouro. Nunca comi desta maneira profunda e carnal. Só tenho três desejos agora: comer, dormir e foder. Os cabarés me excitam. Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar-me em corpos, beber um Benedictine ardente. Belas mulheres e homens atraentes provocam desejos em mim. Quero dançar. Quero drogas. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas. Nunca olho para rostos inocentes. Quero morder a vida e ser despedaçada por ela. Henry não me dá tudo isso. Eu despertei o seu amor. Maldito seja o seu amor. Ele sabe foder como ninguém, mas eu quero mais que isso.

Eu vou para o inferno, para o inferno, para o inferno.

Anaïs Nin

Todo mundo é um pouco dos restos de alguém. Sempre fica na pele, na alma, na memória. Alguns marcaram tanto que deixaram rastros no coração. Outros deixam visíveis no dia a dia a falta que aquela tal pessoa faz e que o seu lugar ainda está ali, intacto. E que por acidente ou até mesmo por amor, quem sabe, ela resolva voltar.

Restos de um naufrágio.

exicio sussurrou-me: Hey, você vai disponibilizar seu antigo theme? Era tão lindo *o*

Assim que eu tiver tempo de colocar appearance nele eu disponibilizo sim,

eu quero escrever sobre você em todas as paredes da cidade 

com tinta permanente 

Nudismo intelectual

Tirei a roupa da minha alma, da minha mente, retirei as minhas máscaras. Colocava-as para aturar e ser aturada por pessoas que não são mais que julgadoras hipócritas reclamando do que você faz tendo os erros iguais! Retirei a minha máscara, ando nua por aí. Se olhar para mim hoje, nada contemplará além que eu. Quem quiser ver minha feiura veja, quem quiser ver minha beleza, sinta. 

Ab