é sempre assim, 

eu nunca amo na medida

sempre exagero

ou acabo sem ideia na ultima linha.

quem sabe a chuva que caí na sua janela sejam minhas lágrimas
quem sabe sejam as lágrimas do mundo todo
quem sabe, meu bem
quem sabe, …

A criança, o sofá e o amor

Observar pessoas que estão apaixonadas é a mesma observação da mãe aflita que vê sua criança pulando de sofá para sofá.
Uma hora ela sabe que o pequeno irá cair, pois é de praxe. A criança vai tomando coragem a cada pulo que dá de um sofá pro outro e vai se permitindo a cada vez mais dar pulos mais altos e com mais agilidade, sem se preocupar com o grau do risco que vai ficando maior a cada pulo.
É engraçado e ao mesmo tempo irônico que tomamos mais coragem a cada etapa superada num relacionamento, nos elevando e deixando-nos permitir a subir um degrau a mais nessa  escalada sem nem ao menos parar para pensar na altura do tombo caso cairmos.
A mãe assiste o filho pulando de lá pra cá, dificultando sua brincadeira a cada salto e o alerta “Vai cair, toma cuidado!”. “Não vou, mãe, sou bom nisso”.
E então, num pequeno deslize a criança cai no chão em uma de suas passagens de um sofá para o outro.
Chora, reclama do seu machucado e ouve um satisfatório “Eu avisei.”

Camila.

às vezes o que sinto é imenso e às vezes não cabe na palma da mão. às vezes palavras não são suficientes pra dizer o tamanho. e quando acontece isso, tomo por medida o céu. infinito. do tamanho do meu amor.

é por isso que digo

"eu te céu, baby, eu te céu"

réu da saudade.

sinto. e na condição de réu estou encarcerado sem direito a julgamento. meu advogado se demitiu e usei meu último telefonema para matar a saudade de ti. um ato meio desesperado, de um coração apaixonado que embriagado de saudade assinou sua sentença de prisão perpétua. em meus árduos dias vazios, apodreço lentamente nos braços da saudade. nos intervalos da dor, imploro por habeas corpus na esperança de que um dia me liberte dessa saudade excessiva de você.

ps: nesse jogo obsessivo de saudade, sequer há liberdade condicional.

r-etalho.

Sobre poetas

Onde estão os poetas boêmios, aqueles que saem pela madrugada e invadem cemitérios, aqueles que exalam cheiro de conhaque de longe e por cima deles se vê a nuvem de fumaça dos cigarros e charutos, aqueles que escrevem versos que sangram em cada linha.

Onde estão os poetas boêmios, aqueles que deliram em quartos escuros e com cheiro de mofo, aqueles que arranham a própria pele na vontade louca de querer um amor, aqueles que ironizam as desgraças da vida.

Estão mortos, deixaram para trás sua sensibilidade à flor da pele, suas alucinações derivadas do ópio e de amores inventados. Suas obras-primas poéticas são também a anunciação de suas mortes precoces.

Por onde andam os poetas boêmios que tanto me encantam com versos carregados de uma poesia pura e delicada com toda a obscuridade da tragédia e da morbidez de suas almas atordoadas.

SANTOS, Ana Carolina

Nunca fiz questão do certo, sabe? O confuso sempre me instigou. Acho incrível as voltas que o mundo dá. Há tanto tempo nos conhecemos e, quem diria? Hoje o mundo para e nós continuamos. Não há porquê não insistir em tudo isso, em nós dois. Queria que tudo fosse fácil ao ponto de estalar os dedos e te ter aqui, mas que graça teria? Tua distância e tua ausência me fazem te querer ainda mais. Não sei se insisto às cegas, posso imaginar um mundo completamente nosso, mas posso idealizar tudo sozinho. Não sei o que se passa na tua cabeça. Às vezes me pego pensando em nós dois. Com tantas poucas memórias você vem e tira de mim todo pensamento possível. Você sabe, eu sempre penso no futuro. Não que eu seja aquele romântico frustrado, mas que graça tem olhar tua boca e não poder te beijar? Insisto no instinto de te ter comigo, e vou com isso até o fim. Me importo, corro atrás e faço o possível por ti. A final, eu nunca menti quando disse que te queria comigo, que te queria pra mim. Ainda quero e ainda vou te conquistar.
Você já esteve presente em tantos textos, em tantos pensamentos e hoje estou aqui te botando em cena. Não estou muito bem e no fundo não sei o que está acontecendo. Sinto falta de você e essa saudade me aperta. Há tantas coisas que eu quero te dizer. Quero te dizer sobre como teu perfume fica em mim, sobre como teu beijo me vicia, sobre como eu sinto saudade logo quando parto. Sabe, no fundo sou exagero. Me entrego, pulo de cabeça, não brinco quando digo que idealizo um futuro que há de vir. Faço preces e pedidos pra que tudo isso dê certo. Não quero que esse seja mais um texto clichê que te escreverei, mas você me faz assim. Me apaixonei por cada detalhe seu, por cada fio de cabelo, por cada olhar dado. Teu carinho, teu ombro amigo, tua vontade de estar comigo, tudo isso me faz te querer mais ainda. Por mais que eu escreva com palavras complexas, detalhe melhor o que sinto, nada disso vai conseguir descrever o que se passa aqui dentro. Você veio e mudou tudo dentro de mim. Não tô bem, mas não é uma tristeza ruim, é saudade da menina que eu sou apaixonado, é vontade de poder encontrar com ela e falar: você tá linda hoje. Sabe, não faço aquele tipo grudento, que enche o saco, mas não acharia ruim te ter comigo agora, te ter pra mim.
proferir

sussurros são quentes

eu pensei em você durante o banho e chorei um pouquinho. eu queria ser forte e cortante, mas chorei um pouquinho ao materializar seu rosto. porque o tesão que vem depois do amor é diferente dos outros e é normal eu esquecer de não sentir e gostar pra caralho de tudo que você é. do gosto musical aos transtornos obsessivos compulsivos. das tentativas culinárias ao penteado. tudo bem eu respeitar pra caralho seu conhecimento técnico sobre tudo e admirar suas opiniões e lógica por te achar extremamente inteligente e apto pra ser. qualquer coisa, o cara, o meu homem. mas eu escondo bem todo meu calor e te trato mal como um moleque que puxa os cabelos da menina preferida no maternal. desculpa por eu não saber lidar com isso, mas é muito difícil gostar de outro ser humano. e eu entendo como deve ser foda pra você gostar dela. juro que entendo e nem ao menos tenho ou sou a resposta para os seus problemas. sou tipo um desvio onde seus olhos encontram uma maneira de não segui-la e os meus aproveitam a oportunidade de encarar os seus e dizer enquanto minha boca sorri e disfarça a maior ameaça à minha sanidade dos últimos tempos. esse meu amor esquisito… por você.

A moça Mariá

De uma fineza sem tamanho, pegou suas tristezas e saiu de mansinho da vista de todos, sentou-se num canto e chorou, afinal de suas tristezas quem é que deve saber além dela mesma?

SANTOS, Ana Carolina.

yellow

escrevi em uma linha seu nome

(por mim)

nesse caderno surrado que não pareço ser

tu enxergou minha vida, minhas lágrimas

tua vida

me abri em uma nova página 

(por você, por nós)

depreciar

Alguém ainda se importa?

Abro os olhos e não me sinto em casa. Esta cidade não tem alguém ou o que me prenda nela. Dói olhar ao redor e não ver ninguém; o telefone não toca, nenhum sms, um “como vai você?”. Ninguém se importa. E eu me pergunto “tem algo de errado comigo?”. Eu não sei, deve ter. Ninguém permanece por muito tempo, todos partem e sequer dizem adeus. Todos aos poucos vão sumindo, me esquecendo e me apagando por completo de suas mentes. Mas eu me lembro de todas elas, todos os dias e vou remoendo tudo por dentro. Cada palavra, cada gesto, cada sorriso, cada lágrima… Eu levo um pouco de cada um, dentro de mim. E assim eu vou seguindo -tentando-, buscando dentro de mim o pouco de esperança que ainda me resta. Tentando não desmoronar, tentando ser mais forte, a cada dia que passa. E eu sei que não existe fórmula mágica, que o jeito é seguir em frente, mesmo quando tudo parece cair sobre a minha cabeça.

Nessa Cross