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O Teu canto de paz ecoou sobre meu coração e acalmou a grande guerra. A doçura da Tua fala alcançou os pontos altos de amargura que haviam em meu ser. Teus braços me envolveram com tamanho amor e hoje posso ver que já não sou. Teu toque me colocou de volta no lugar. Não eu, mas Tu em mim. Te dou o direito de nunca mais sair.

Verás que eu sempre fui outro, que de mim mesmo corro, pra onde eu não sei. Não ache que eu quis assim, não ache que fiz de propósito, faz tempo que não sei mais quem sou, nem como agir sozinho eu sei. Eu menti pra você, e menti pra mim, eu tentei amar a ti, pra aprender a amar a mim. Te fiz de cobaia, perdoe-me, você deve estar acostumada com pessoas que punem a si mesmas, mas não. Eu realmente consegui fazer o que eu queria. Eu sei, é tudo sem sentido, mas foi esse meu objetivo, eu queria me amar, na tentativa de fazer, eu usei você. Eu usei seu coração nobre e puro. Eu sou uma péssima pessoa, é sou mesmo. Machuquei a ti, machuquei a mim. E olha, eu nem aprendi a me amar. Vá embora vá, deixe eu morrer só agora, não preciso de compaixão, me dê o seu desprezo e o seu ódio, ficarei contente pelo resto da morte.
William Philippe.  

Eu rio
Pra não morrer afogado
Nos olhos do mar

E se quiser me misturar ao chá,
se lembre: Necessito de adição de açúcar.
Quero sempre o dulçor que é descer pela sua garganta,
e despejar calor no coração.

D.D

Às vezes sinto que teu sorriso é o mais bonito que já contemplei, carregado de uma inocência única feito aquela encontrada nas crianças. Mas você sofre, ah! eu sei, sofre por não saber se aquele menino dos olhos com sono e sorriso torto vai permanecer mais um pouco; tudo nele é atrativo sob teus desejos, por mais que você relute dizendo alguns argumentos contrários à essa teoria, ele sente os efeitos que te causa. O passado de vocês é cheio de idas e vindas, o tempo sempre age de forma efémera quando decidem tentar mais uma vez, mas a vida tem se mostrado bem árdua pra ambos os lados. Penso que ele nutre um amor puro por todos os teus traços, só que ainda está aprendendo a lidar e isso custeia mais um pouco desse tão precioso tempo. Quando conversamos sobre você, o corpo do rapaz fica tenso e seus olhares passam a ser mais cautelosos, parece uma espécie de área restrita àquilo que tanto esconde no fundo do peito, nota-se uma esperança – verde feito clorofila, viva feito o ar, quente feito a pele, livre feito os pássaros – ele sabe que de todas as inconstâncias, sua permanência é aquilo que o conforta, resguarda de todo mal causado por tantos outros fatores externos. É nisso que consiste o amor traduzido por um rapaz de quase vinte anos completamente castigado pelos fantasmas de um passado tão recente, é nisso que consiste uma existência fraca sendo composta por tantas imposições/restrições travadas durante tão pouco tempo físico.

É você por ele quando nem ele mesmo existe pra si.


Lucas. 

Texto de floricultura

Não tenho nada na cabeça
Só um buquê em minha mão
Escrevi um texto pobre
Para ter seu coração

Teu olhos brilham feito fogo
Teu cabelo cheira como flor
Aceite moça, esses versinhos
Pois foram feitos com amor

Não sou poeta de verdade
Nem cuidador de jardim
Mas se me deres um sorriso
Te deixo cuidar de mim

Aliterando

Bom dia!

Durante os dois anos de choros pueris devido a separação, nunca soube como explicar às pessoas que me perguntavam a fundo sobre minhas lembranças desse passado não muito distante. Uma luz se acendeu quando passei da página duzentos e setenta e seis para a página seguinte. Estava lá, quase no fim da página duzentos e setenta e sete do livro O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Márquez: “[…] sempre teve bastante serenidade para perceber que não eram lembranças de amor, nem de arrependimento, e sim a imagem de uma insipidez que lhe deixava um rastro de lágrimas.” E assim fechei o livro e o apertei ao peito, agora retrocedendo às lembranças de forma mais clara e com a resposta que antes estava longe de minha compreensão. O tempo de conceber explicações ao mundo já se esgotara, mas a alegria de enfim ter encontrado uma resposta exata para todas as respostas das adversidades internas e externas que me ocorreram naqueles dias de silêncio lúgubre ao lado dela me fez fechar os olhos por alguns segundos e pensar com clareza: foi mesmo melhor assim.
Junior Lima. 
Eu sou uma mistura de tantos sentimentos, que as vezes até me assusta. Essa confusão, esse rebuliço dentro de mim, esse caos, essa loucura que me consome dia e noite. Eu que tantas vezes fui leve-não de corpo, mas de alma. Hoje não sei ser leve, não consigo me libertar dos erros do passado, esses fantasmas que me atormentam e não me deixam dormir. Eu só queria encostar minha cabeça no travesseiro e descansar, mas não, crio diálogos, fico me lembrando de tudo. Eu tenho medo de não ser boa o suficiente, de não conseguir morrer em paz. O meu monstro esta crescendo e eu o alimento todos os dias. Insegurança, medo, solidão, confusão, dor, raiva… Ele come todas as palavras ruins e aos poucos vai tomando conta de todo o meu ser. Me sinto fraca, vulnerável e ele vai me consumindo, sugando minhas forças. Já não sei mais o que fazer, estou perdida. Então eu sento no chão, me encolho toda e choro. Choro para ver se assim consigo matar meu monstro afogado, para enfim poder viver. Porque hoje eu não vivo, apenas existo.
O monstro que abita em mim, Nessa Cross
Ela me olha com seus olhos castanhos e de aparência cansada, solta sua voz mansa e pronuncia as mais doces palavras de amor que servem de complemento para minha poesia pobre. Ela solta seu cabelo e o perfume invade meus sentidos, me fazendo me apaixonar ainda mais por ela, ela com suas manias se torna perfeita para mim e ainda por cima ela é louca o bastante para me taxar perfeito para ela.

Coragem dizem teus olhos e todo ação e reação que tem teu corpo, diz o suor que escorre por tuas costas e o estalo dos teu dedos. Te falta saber te ler e, há quem viva o suficiente e não o alcança. Mas eu enquanto de fora de ti, vejo e creio nisso que meus olhos podem ler. Sinto teu infinito que escapa pelos poros e provo do cheiro do teu suor junto ao meu. Eu leio teu corpo como um livro, livre. Eu leio tuas veias nos braços como braile. E todo dia temo te entender quando penso que seria melhor fazê-lo. Porque sei com todas as letras que algumas coisas apenas são porque são: como nem toda noite vemos estrelas mas continuam por lá. O que escondemos não deixa de existir dentro ou fora de nós, o que tememos se espreita e nos belisca até que é enfrentado. Solidão teus lábios se permitem dizer e os meus negam. Nossa luta diária é contra nós mesmos, nossa sina é pertencer ao que somos como escravos. E buscamos por alforria. Mas, não, não a teremos nem se vivermos mil anos, nem se vivermos pra ver as estrelas caírem e nosso infinito se dissipar. Culpa é o que teremos se escolhermos caminhar pra perto do abismo, se aceitarmos a correnteza sem lutar até os músculos queimarem, culpa teremos caso tomarmos o caminho mais fácil e desistirmos do que é certo em nós. Eu vejo se dobrar o teu corpo enquanto foge, tuas rugas negam o que teu lábio diz. O teu profundo tu esconde por medo, e o mesmo medo te segura pra não mergulhar no que lhe faz feliz. Porque não há maior temor que o de ser feliz. Em todo corpo, vivo ou morto, há o medo de se permitir. Por dentro somos bicho e desde os nossos ancestrais até as gerações futuras antes de atacar, nos protegemos. É nossa evolução: que paira entre o “se adaptar” e o “se salvar”. E talvez, o certo seja salvar a si mesmo, porque não nos cabe salvar mais ninguém. Só amar.  
Quem sabe o certo não é manter tudo em ti em silêncio e tampar os ouvidos pra não ouvir tudo em mim. Alguns de nossos certos não se encaixam, sabemos. Essa é nossa sorte. 

E nossa perdição. 

Helena 

Vem comigo!

Pega na minha mão, vamos para longe daqui, mon amour. Você confia em mim? Diz que sim! Que te levo para desvendar os lugares mais inusitados, se quiser te levo até a lua. Te levo para longe só para te ver sorrir, não quero te ver chorar, só vale se for de alegria. Vem comigo! Vamos para longe de tudo e de todos, para longe dessa confusão. Vamos passar uma tarde tomando sorvete no Central Parque, dar um pulo num monastério, meditar um pouco. Sentar na areia e observar o mar, ouvir o barulho das ondas… Só vem comigo, que te levo para outra dimensão, é só fechar os olhos e me dar a mão.

Nessa Cross

Eu acredito que há muitas saídas, que ainda é muito cedo para nos sentirmos acuados, sem opções. A alma pode ser velha, podemos nos sentir cansados e sem animo, mas somos jovens e o tempo nos é favorável. Desenhar uma janela no escuro da alma, espreitar pela fresta de luz que escorre por debaixo da porta, ouvir os trilhos por dentro da pele ao abrir as cortinas e avistar a curvatura do mundo no horizonte, tudo isso é apenas o começo ou quem sabe o recomeço para quem pensou na possibilidade de um dia desistir.
Elisa Bartlett.